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A temporada de jogos do segundo semestre começou com um final de semana quente com duas partidas.
Sábado enfrentei pela segunda vez o professor de inglês Mikkel pela primeira rodada do Panela. Marcamos às 14h no Belvedere e ainda não sei como ele não me acusou de tentativa de homicídio. Enquanto o Sinner passa mal no calor, pessoas normais morrem mesmo.

Não é normal jogar nesse calor infernal. Perguntei porque diabos combinamos naquele horário e seguimos em frente para o aquecimento.
Assim como todos os jogos que fiz na vida, a partida começou com uma série de duplas falta e a quebra do serviço. É engraçado sentir um equilíbrio geral no jogo, quando o placar claramente diz contrário.
Os números não mentem. Você pode se conhecer, entender o adversário, mas a verdadeira história de um jogo está no seu placar final. Quem erra menos, vence: esse é o clichê mais verdadeiro do esporte. É óbvio, reconhecer a superioridade do adversário é sempre importante — e não há nada de errado nisso, muito pelo contrário.
Eu ser muito ruim não anula méritos do adversário. O Mikkel jogou com inteligência em muitos pontos. Em um deles, em especial, eu fiquei sem reação. Em uma troca, a bola ficou curta e corri para a rede (o que foi uma decisão equivocada, mas consequência de não ter força para matar o ponto). Ele conseguiu jogar no meu contra-pé. Foi uma puta jogada sensacional, então levar uma bicicleta e voltar pra casa sem pontuar foi menos irritante.
Domingo foi a vez de disputar meu primeiro jogo pelo ranking ADT. Entrei como 5a classe porque sim. Meu raciocínio era de que disputas com pessoas mais avançadas me deixariam melhor para encarar o pessoal da 6a classe. Na teoria funciona bem melhor que na prática. Continuo perdendo feio nos dois níveis.
Esse jogo da 5a classe foi contra um rapaz chamado Matheus. Ele disse que jogou quando criança e só voltou há dois meses, mas sempre praticou todos os tipos de esportes possíveis. O abençoado tem um primeiro serviço que eu não enxergava a trajetória da bola. Quando conseguia enxergar, ela vinha com tanta força que parecia prestes a furar minha raquete.

O jogo terminou 6×1/6×1 porque ele fez dupla falta demais e eu consegui aproveitar o game. Pelo menos não foi pneu. Nem bicicleta. Na terapia fiquei refletindo sobre como um jogo vira um espelho da minha vida fora da quadra. Os games vão passando, as duplas-faltas vão acumulando e os sets escapam, deixando as derrotas mais amargas.
Se eu jogasse pela competição, teria desistido. E talvez por ser tão parecido com minhas escolhas profissionais, eu não vá desistir mesmo. Uma hora a primeira vitória vem. E vou poder zoar meu adversário: “você perdeu para um hipertenso, com apneia do sono, doença crônica renal e anemia. Que vergonha!”
Aliás, eu também deveria zoar quem ganha de mim.

