📋 Resumo
- Dino Prižmić é um tenista croata de 20 anos, nascido em Split, com ranking atual de número 87 no mundo — o melhor da carreira, alcançado em abril de 2026.
- Campeão do Roland Garros juvenil em 2023, foi o primeiro croata a ganhar o título desde Marin Cilic, em 2005.
- Em maio de 2026, derrotou Ben Shelton (top 10) em Madri e, na sequência, bateu Novak Djokovic — seu ídolo de infância — em Roma.
- Estreou em Roland Garros 2026 com demolição do americano Michael Zheng por 6-1, 6-1, 6-3.
- Na segunda rodada, enfrenta João Fonseca (28º cabeça de série) na quarta-feira, 27 de maio. O vencedor pode cruzar com Djokovic na terceira rodada.
- Fora das quadras, curte UFC, rap balcânico e videogame. Come apenas alimentos naturais. É exatamente o que você esperaria de um croata de 20 anos muito sério.
Ficha Técnica
| Nome | Dino Prižmić |
| Nascimento | 5 de agosto de 2005 |
| Naturalidade | Split, Croácia 🇭🇷 |
| Altura | 1,88 m |
| Ranking atual | Nº 87 ATP |
| Melhor ranking | Nº 71 (mai/2026) |
| Estilo | Direita / BH duplo |
| Treinador | Luka Kutanjac |
| Superfície favorita | Saibro |
| Ídolo | Novak Djokovic |
Existe algo perturbadoramente poético em derrubar o próprio ídolo. É o tipo de coisa que acontece nos filmes — geralmente acompanhada de música dramática de cordas e um close no rosto do mentor envelhecido que sorri com orgulho enquanto o discípulo faz o que ele já não consegue mais. Nos filmes, o ídolo perde graciosamente. Na vida real, o ídolo tem 38 anos, passa mal entre os games, e mesmo assim dá trabalho o suficiente pra você sair em lágrimas na entrevista.
Dino Prižmić não chorou. Mas a voz balançou. “É difícil falar agora. Tenho um grande respeito por Novak. Ele é meu ídolo”, disse o croata de 20 anos, logo após bater Djokovic em Roma. Não foi um resultado qualquer. Foi o tipo de vitória que muda a trajetória de um tenista. Split, Croácia, para o Foro Itálico em Roma. Vinte anos de idade. O maior de todos do outro lado da rede. E ele ganhou.
Split: onde os campeões nascem com o mar na janela
Split é uma cidade de 170 mil habitantes encravada na costa dálmata da Croácia, com o Palácio de Diocleciano no centro histórico, barcos de cruzeiro no porto e uma tradição esportiva que não brinca em serviço. O país que produziu Goran Ivanišević — campeão de Wimbledon, um dos serviços mais destrutivos da história — sabe muito bem o que fazer com uma criança talentosa e uma raquete.
Prižmić chegou ao top 200 em agosto de 2023, pouco depois de fazer 18 anos. Antes disso, acumulou títulos no circuito ITF e mandou um recado que ninguém sabia bem como interpretar: ganhou o Roland Garros juvenil em 2023, derrotando o boliviano Juan Carlos Prado Ángelo na final, tornando-se o primeiro croata a conquistar o título desde Marin Cilic, em 2005.
Cilic, para quem não lembra, ganhou Wimbledon em 2014. A comparação não é aleatória.
Prižmić começou a jogar tênis inspirado por Novak Djokovic, o que na Croácia-vizinha-da-Sérvia é algo entre homenagem sincera e inevitabilidade geográfica. O menino cresceu assistindo ao sérvio dominar o mundo, copiando o backhand, sonhando com as vitórias. Nos esportes, poucos roteiros são mais perigosos: às vezes o aprendiz supera o mestre. Às vezes o aprendiz tem que escolher entre a admiração e a ambição. Prižmić, em Roma, escolheu a ambição. Com elegância, mas escolheu.
2025: a temporada que reorganizou tudo
Entre o título juvenil de Roland Garros em 2023 e o momento em que o mundo começou a prestar atenção de verdade, houve um intervalo complicado. Após impressionar ao tirar um set de Djokovic no Australian Open 2024 — com apenas 18 anos —, Prižmić passou por um período marcado por lesões e pela necessidade de reformular o jogo para o próximo nível. O circuito não tem piedade de quem fica parado.
A resposta virou uma das histórias mais interessantes de 2025: cinco finais consecutivas de Challenger entre maio e agosto, com títulos em Zagreb e Bratislava. Uma sequência de 14 vitórias consecutivas que não deixa dúvidas sobre o estado mental do rapaz.
No Bratislava Open, venceu Valentin Royer na final por 6-4, 7-6(8-6). Em Zagreb, conquistou o título após Luca Van Assche abandonar no primeiro set. Não é a história mais dramática do circuito, mas dois títulos Challenger em sequência é o tipo de coisa que faz o algoritmo do ranking ATP se mexer com alegria.
2026: a temporada em que “promessa” virou pequeno demais
Se 2025 foi o ano da consolidação, 2026 está sendo o ano em que o crachá de “jovem promessa” começou a ficar apertado. Prižmić abriu a temporada rankeado em torno de 127 do mundo. Hoje está no 87 — e chegou a 71, seu melhor posto histórico, em maio.
O salto foi construído em dois Masters 1000 consecutivos que parecem tirados de um roteiro de Netflix sobre tênis:
Madrid, 2026. Prižmić entra pelas qualificatórias. Elimina Matteo Berrettini na primeira rodada. Na segunda, enfrenta Ben Shelton, o americano que serve como um canhão humano e tem um forehand que parece calculado para destruir psicologicamente o adversário. Prižmić vence. Primeira vitória da carreira sobre um top 10. O mundo do tênis anota o nome.
Roma, 2026. Prižmić volta pelas qualificatórias. Chega ao quadro principal. Na segunda rodada, encontra Novak Djokovic — o ídolo, o modelo, o cara cujo backhand ele passou anos tentando imitar. Djokovic vence o primeiro set com facilidade, 6-2. Mas a partir do segundo set, enfrenta dificuldades físicas — visivelmente dobrando os joelhos e arrastando os pés entre os pontos. Prižmić nivela em 6-2 e usa o embalo para o set decisivo, quebrando o serviço de Djokovic no quinto game. Fecha o jogo em 2-6, 6-2, 6-4 em 2h17.
Djokovic, generoso como os grandes sabem ser, reconheceu: Prižmić é “um grande lutador” que “jogou a um nível muito alto”.
“Para mim, é difícil [saber o que] dizer. Tenho um grande respeito por Novak. Ele é meu ídolo, então foi um grande jogo para mim hoje. Joguei de forma incrível e quero continuar concentrado e estar pronto para o próximo.” — Dino Prižmić, após vencer Djokovic em Roma
➡️ Quer entender mais sobre as gerações do tênis masculino e o que vem depois de Djokovic? Leia: A nova geração do tênis: quem pode dominar depois de Sinner e Alcaraz.
O jogo: o croata que não dá um ponto por perdido
Nick Hornby tem uma frase sobre personagens que você não consegue parar de assistir mesmo quando não estão fazendo nada espetacular. Prižmić é esse tipo de tenista. Não é estético no sentido clássico — não tem o forehand cinematográfico de Alcaraz, nem a elegância geométrica de Federer. Mas tem algo que os melhores treinadores do mundo tentam ensinar e raramente conseguem: ele compete cada ponto como se fosse o último.
Sua defesa sólida e a capacidade de responder com eficácia aos golpes dos adversários fizeram o Foro Itálico se levantar das cadeiras durante a partida contra Djokovic. Isso é o tipo de coisa que você não fabrica — você traz da costa dálmata ou não traz.
Tecnicamente, é destro, com backhand de duas mãos, e claramente construiu seu jogo no saibro. Tem um sólido histórico no circuito Challenger com 65 vitórias e 38 derrotas — aproveitamento de quem sabe exatamente o que está fazendo no pó de tijolo. Não é um sacador de ases, mas usa a largada do serviço para ditar o ritmo, especialmente no saibro, onde as angulações do segundo set constroem pontos com paciência cirúrgica.
O que o torna particularmente perigoso para Fonseca? Ele não se impressiona com nomes. Enfrentou Djokovic com 18 anos e tirou um set. Voltou e ganhou com 20. Shelton, um dos saques mais pesados do tour, foi para casa. Prižmić tem exatamente o perfil de jogador que não lê o press release do adversário antes do jogo.
A linha do tempo: de Split ao topo (em construção)
2019 — Final do Campeonato Europeu Júnior no sub-14. Primeira indicação de que Split havia produzido algo especial.
2022 — Estreia no circuito ATP em Umag, cidade natal do torneio, com um wild card. Primeiro contato com o circuito principal.
Junho de 2023 — Campeão juvenil de Roland Garros, vencendo Juan Carlos Prado Ángelo na final por 6-1 e 6-4. Djokovic parabeniza nas redes sociais. O círculo começa a fechar.
Janeiro de 2024 — Australian Open, primeira rodada. Enfrenta Djokovic — o ídolo — e tira um set do número 1 do mundo. Perde a partida, mas ganha a atenção do mundo.
2025 — Cinco finais consecutivas de Challenger entre maio e agosto, títulos em Zagreb e Bratislava. Qualificação para o Next Gen ATP Finals.
Abril de 2026 — Alcança o ranking 87, seu melhor posto histórico.
Madrid, maio de 2026 — Primeira vitória sobre um top 10: Ben Shelton eliminado. O tenista entra na lista dos que o circuito precisa acompanhar de perto.
Roma, 8 de maio de 2026 — Derrota Djokovic por 2-6, 6-2, 6-4. Segundo top 10 eliminado em sequência. Career-high garantido.
Roland Garros, 24 de maio de 2026 — Elimina o americano Michael Zheng por 6-1, 6-1, 6-3. Sólido. Eficiente. Sem drama.
27 de maio de 2026 — Fonseca. Segunda rodada. O jogo mais aguardado da primeira semana.
Fonseca x Prižmić: o que está em jogo
Fonseca tem 19 anos, Prižmić tem 20. Os dois têm talento para chegar à segunda semana de um Grand Slam. O vencedor está programado para enfrentar Novak Djokovic na terceira rodada.
É o tipo de situação que a geração anterior do tênis — Federer, Nadal, Djokovic, Murray — tinha no sub-30. Agora acontece entre adolescentes e vinte-e-poucos em Roland Garros.
George Carlin diria que o tênis inventou uma forma de transformar dois jovens que deveriam estar discutindo planos de faculdade em gladiadores de argila diante de um público parisiense que paga caro para tomar chardonnay e assistir ao futuro sendo decidido. Ele não estaria errado.
O que Prižmić tem de mais perigoso para o brasileiro: ele já enfrentou Djokovic duas vezes e cresceu nas duas ocasiões. Fonseca é um jogador excepcional, mas Prižmić é o tipo de adversário que não perde o fio da meada sob pressão. Em sets decisivos, ele tem 71% de aproveitamento nos últimos doze meses. Não é coincidência — é caráter competitivo.
O que Fonseca tem de mais perigoso para o croata: é mais rápido, tem mais variação tática, e já demonstrou em Roland Garros que sabe como escalar pressão ao longo de um jogo de três a cinco sets. O placar contra Pavlovic — que foi de igual no primeiro set — mostrou que ele não entra em pânico quando o adversário resiste.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre Dino Prižmić
Quem é Dino Prižmić? Dino Prižmić é um tenista profissional croata de 20 anos, nascido em Split. Atualmente ocupa o ranking 87 do mundo, seu melhor posto histórico, alcançado em abril de 2026.
Dino Prižmić já ganhou algum Grand Slam? No circuito profissional, ainda não. Mas foi campeão do Roland Garros juvenil em 2023, derrotando Juan Carlos Prado Ângelo na final — o primeiro croata a conquistar esse título desde Marin Cilic em 2005.
Como foi a vitória de Prižmić sobre Djokovic? Em Roma, maio de 2026, Prižmić derrotou Djokovic por 2-6, 6-2, 6-4. Após perder o primeiro set, o croata se beneficiou de dificuldades físicas do sérvio a partir do segundo set e manteve o nível elevado até o fim, em 2h17 de partida.
Prižmić e Fonseca já se enfrentaram antes? Não. Roland Garros 2026 será o primeiro confronto entre os dois na carreira profissional.
Qual é o estilo de jogo de Dino Prižmić? Prižmić se destaca pela defesa sólida e pela capacidade de responder com eficácia aos golpes dos adversários, com jogo de fundo de quadra consistente no saibro. É destro e utiliza backhand de duas mãos. Competitividade e intensidade ponto a ponto são suas marcas registradas.
Por que Djokovic é o ídolo de Prižmić? Prižmić cresceu inspirado por Novak Djokovic, o que é natural para um jovem croata dos Bálcãs que começou a jogar tênis no auge da dominância do sérvio. A relação ganhou camadas novas quando Djokovic parabenizou Prižmić pelo título juvenil em Roland Garros 2023 — e mais ainda quando o croata o derrotou em Roma em 2026.
Quem Prižmić pode enfrentar caso vença Fonseca? Se avançar para a terceira rodada, Prižmić poderá enfrentar Novak Djokovic — o ídolo que ele já derrotou em Roma. O roteiro, se acontecer, seria de cinema.
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