Ben Shelton em quadra durante torneio da ATP

US Open 2026: Ben Shelton derruba o campeão Alcaraz em cinco sets na madrugada mais longa da história e vai à semi 100% americana

Ben Shelton em quadra
Ben Shelton fez a partida da vida contra Alcaraz. Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Se você foi dormir antes das 4h de Brasília, perdeu uma das maiores zebras do ano. Na madrugada de terça para quarta-feira (8 para 9/9), o americano Ben Shelton eliminou o atual campeão Carlos Alcaraz por 3 sets a 2 — parciais de 6/7, 6/1, 6/3, 1/6 e 7/6 — nas quartas de final do US Open 2026. O duelo terminou por volta das 3h30 da manhã em Nova York e entrou para os livros como a partida de encerramento mais tardia de toda a história do torneio.

Mais do que o horário improvável, o placar é o que assusta: o segundo cabeça de chave e defensor do título caiu diante de um adversário que sacou como poucas vezes se viu em Flushing Meadows. Foi montanha-russa do começo ao fim, com quebras dos dois lados, viradas de chave e uma decisão que só se resolveu no tie-break do quinto set.

Cinco sets, montanha-russa e um final às 3h30

Alcaraz começou melhor e fechou o primeiro set no tie-break, mas a resposta de Shelton foi brutal: 6/1 e 6/3 nos dois sets seguintes, embalado por um saque que passou dos 220 km/h e por um forehand que não deu descanso ao espanhol. Quando parecia encaminhado, o americano viu o campeão reagir com autoridade no quarto set (1/6) e empurrar a partida para o abismo do quinto.

No set decisivo, com o relógio já apontando de madrugada, os dois seguraram os saques até o 6/6. No tie-break, Shelton manteve a frieza que faltou em outros momentos da carreira em grandes palcos e converteu a vaga. Terminou com os braços abertos, a Arthur Ashe (o que sobrou dela àquela hora) de pé, e a sensação de que o US Open acabava de ganhar seu roteiro mais improvável.

Alcaraz perde a coroa e vê ruir a série em Slams de piso duro

A queda tem peso duplo. Alcaraz não só era o campeão em título como vinha embalado por uma sequência impressionante em Grand Slams de piso duro, atropelando adversário atrás de adversário no caminho até as quartas. A eliminação encerra essa invencibilidade e escancara ainda mais uma chave masculina que já havia perdido Jannik Sinner (lesão) e Novak Djokovic (eliminado na estreia) muito cedo.

Com o espanhol fora, o título de Nova York fica sem dono claro pela primeira vez em anos — e um nome americano está garantido na decisão. Coisa que não se via há muito tempo no Major de casa.

Semifinal 100% americana: Shelton x Tiafoe

Do outro lado da mesma metade da chave, Frances Tiafoe protagonizou sua própria epopeia: perdia por 2 sets a 0 para o jovem Alex Michelsen e virou para 5/7, 3/6, 7/5, 6/3 e 7/6. Resultado: Shelton e Tiafoe se enfrentam por uma vaga na final, no que promete ser uma festa (barulhenta) do tênis dos Estados Unidos.

Seja quem for, a bandeira americana vai desfilar na decisão do US Open — um alívio para um país que há tempos sonha em voltar a ter um homem na final do seu próprio Grand Slam. A outra metade da chave define o rival na sequência.

E o Brasil nisso?

Sem representantes brasileiros no simples nesta edição, resta à torcida verde-amarela escolher um lado — e aproveitar o espetáculo. Para quem curte um saque canhoto de outro planeta, difícil não simpatizar com Shelton. Já a energia contagiante de Tiafoe tem lá seus fãs por aqui. Prepare o café: se a semifinal repetir a dose desta madrugada, vai ter tênis até tarde de novo.

Enquanto isso, o baque para os fãs de Alcaraz é grande, mas o espanhol ainda é jovem e volta em breve. O US Open 2026, por outro lado, já entregou sua maior emoção — e ela veio embalada por um relógio virando a madrugada.