Enquanto o Brasil ainda lamentava a ausência de João Fonseca no US Open, uma dupla verde-amarela resolveu escrever história do outro lado da quadra. Rafael Matos e Orlando Luz venceram, em sequência, os Masters 1000 de Montreal e Cincinnati — a chamada “dobradinha” do verão norte-americano — e se tornaram a quinta dupla da Era Aberta a conquistar os dois títulos no mesmo ano. Agora, embalados como poucas vezes o tênis de duplas do país esteve, os dois são a grande esperança brasileira na Copa Davis contra a Suíça, no Rio.
Um feito que só quatro duplas tinham conseguido
Vencer Montreal (ou Toronto, que se alternam no Canadá) e Cincinnati na mesma temporada é uma das façanhas mais raras do circuito de duplas. Antes de Matos e Luz, apenas quatro parcerias tinham feito a dobradinha do verão americano na Era Aberta. A última havia sido a de Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut, lá em 2017. Ou seja: fazia quase uma década que ninguém repetia o feito — e coube a dois brasileiros quebrar esse jejum.
Em Montreal, a dupla ergueu o seu primeiro título de Masters 1000. Dez dias depois, em Cincinnati, veio a confirmação de que não havia sido sorte: na decisão, Matos e Luz superaram Constantin Frantzen e Robin Haase por 6/4, 3/6 e 10/7, decidindo no match tie-break um jogo digno de campeão. Dois Masters 1000 em duas semanas — algo que, convenhamos, soa quase surreal para o tênis brasileiro.
“Se eu dissesse que acreditava nisso, seria mentira. Estamos muito felizes de conseguir isso. Duas semanas incríveis, com dois títulos — não tenho palavras.”
Orlando Luz, após o título em Cincinnati
Um ano para não esquecer
A dobradinha nos Estados Unidos foi o ponto alto de uma temporada de 2026 que já vinha brilhante. Somando os canecos de Buenos Aires e Santiago no início do ano, a dupla chegou a quatro títulos na temporada e disparou no ranking de equipes da ATP, entrando no seleto grupo das dez melhores parcerias do mundo. Para dois jogadores que construíram carreira longe dos holofotes do simples, é a consagração de anos de estrada — muitos deles rodando Challengers Brasil afora.
Vale lembrar que o Brasil tem tradição de peso nas duplas, com nomes como Marcelo Melo e Bruno Soares abrindo caminho na elite. Matos e Luz agora carregam essa herança — e o fazem com um ingrediente especial: são uma parceria 100% brasileira voando alto justamente no momento em que o país mais precisa de reforços para um compromisso importante.
Da glória americana ao desafio da Davis, no Rio
É aí que a história ganha um capítulo ainda mais saboroso para o torcedor. Matos e Luz foram convocados pelo capitão Jaime Oncins para o confronto do Brasil contra a Suíça pela Copa Davis, nos dias 18 e 19 de setembro, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro. Em quadra rápida e coberta, a dupla dos Masters 1000 tende a ser a fiadora do ponto de duplas — muitas vezes decisivo nesse tipo de eliminatória.
O time brasileiro terá ainda João Fonseca, confirmado por Oncins após a lesão que o tirou do US Open, além de Gustavo Heide e Matheus Pucinelli nos jogos de simples. Para Fonseca, aliás, a Davis é a abertura de um calendário decisivo no fim de 2026, que ainda inclui a temporada asiática e a defesa de título em Basel.
Se depender da fase de Matos e Luz, o Brasil tem motivos de sobra para sonhar diante da torcida no Rio. A dupla chega no melhor momento da carreira, com dois troféus de Masters 1000 debaixo do braço e a confiança lá em cima. Que venha a Suíça — e que a festa das duplas continue em casa.
Resultados e feitos conferidos em fontes oficiais do circuito (ATP Tour) e na cobertura esportiva nacional. Acompanhe o Tênis Rock Clube para tudo sobre a Copa Davis no Rio.
