Tenista brasileiro João Fonseca em quadra

João Fonseca cai para o 28º lugar no ranking da ATP após o US Open sem defender pontos

Sem entrar em quadra em Nova York, João Fonseca ainda assim vai sentir os efeitos do US Open 2026 no bolso do ranking. Com os resultados das quartas de final definidos e a vitória de Alexander Zverev fechando a conta, o brasileiro está matematicamente confirmado para cair da 26ª para a 28ª posição da ATP na atualização de segunda-feira seguinte ao encerramento do Grand Slam. Não é uma queda dramática — Fonseca segue firme no top 30 —, mas é o retrato de um problema que persegue o carioca em 2026: quando ele não joga, os pontos escapam.

João Fonseca em quadra
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Por que Fonseca perde posições sem ter perdido um jogo

A explicação está na lógica implacável do ranking da ATP, que funciona por rodízio de 52 semanas. Fonseca tinha 50 pontos a defender do US Open do ano passado, quando havia chegado à 2ª rodada em Nova York. Como desistiu da edição de 2026 por causa de uma lesão no abdômen, ele não teve como repor essa pontuação — e viu os 50 pontos simplesmente evaporarem da conta. Com isso, seu total recua para cerca de 1.750 pontos.

Enquanto o brasileiro assistia de fora, dois rivais diretos aproveitaram a boa campanha em Nova York para passar por cima dele. Karen Khachanov, que avançou às semifinais, saltou para a 26ª posição com cerca de 1.800 pontos, e o jovem belga Alexander Blockx, revelação do torneio, chegou a aproximadamente 1.788 pontos e assumiu o 27º lugar. A vitória de Zverev sobre Botic van de Zandschulp foi a última peça que faltava para “fechar” os cálculos e empurrar Fonseca para baixo.

O preço de um ano castigado por lesões

Se tem um vilão na temporada 2026 de João Fonseca, o nome dele é “physical”. O ausência no US Open foi apenas o capítulo mais recente de um ano em que o brasileiro precisou abrir mão de vários compromissos por problemas físicos. Cada torneio perdido cobra seu preço no ranking, e é por isso que, apesar do talento evidente e das atuações de encher os olhos quando está inteiro, o carioca ainda não conseguiu deslanchar rumo ao top 20 como muitos previam para este ano.

A boa notícia para a torcida brasileira é que a queda é discreta e reversível. Ficar em 28º, ainda dentro do top 30, mantém Fonseca cabeça de chave na maioria dos torneios e em posição de sobra para brigar por um lugar melhor na reta final da temporada — desde que, claro, o abdômen colabore. O próprio jogador tem deixado claro que a prioridade agora é voltar 100% recuperado, sem atropelos, para não transformar uma lesão pontual em um problema crônico.

O que vem pela frente: a chance de recuperar o terreno

A virada de página deve acontecer bem perto de casa. Fonseca está escalado para liderar o Brasil na Copa Davis contra a Suíça de Stan Wawrinka, nos dias 18 e 19 de setembro, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro — o palco perfeito para reencontrar o ritmo com o apoio da torcida. Depois disso, o calendário oferece pontos de sobra para reagir: o ATP 500 de Tóquio, o Masters 1000 de Xangai, a defesa do título em Basel e o Masters 1000 de Paris fecham 2026 com oportunidades reais de recuperar — e superar — as posições perdidas agora.

Em outras palavras: a foto de hoje mostra um Fonseca em 28º, mas o filme ainda está longe do fim. Se o corpo responder, o número 1 do Brasil tem tudo para terminar a temporada mais perto do topo do que dela caiu. Enquanto isso, a missão imediata tem cara de festa: reencontrar a Farmasi Arena lotada e puxar o Brasil na Copa Davis.

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