Se o tênis tivesse um equivalente ao Super Bowl em termos de entretenimento doméstico, a noite de sábado no Dallas Open 2026 teria sido o show do intervalo. Em uma batalha de nervos, potência e resiliência que durou 2 horas e 35 minutos, o jovem fenômeno Ben Shelton provou que seu “clutch” está mais afiado do que nunca. O americano superou o atual campeão Denis Shapovalov por 4-6, 6-4 e 7-6(4), carimbando seu passaporte para uma final que é o sonho de qualquer organizador de torneio nos EUA: o duelo entre os dois melhores tenistas do país pela glória do ATP 500.
O Sobrevivente: Como Shelton Dobrou o “Shapo”
Denis Shapovalov não é um adversário comum em Dallas. O canadense vinha de uma sequência absurda de oito vitórias seguidas no Texas, tendo conquistado o título em 2025 batendo três Top 10 pelo caminho. Ele conhece o tempo de bola dessas quadras cobertas como ninguém. E no primeiro set, ele mostrou por que era o dono da casa, castigando Shelton com o backhand de uma mão e fechando em 6-4.
O jogo parecia estar escapando das mãos de Shelton no segundo set. No 2-2, Shapovalov teve quatro chances de quebra. Se aquela quebra tivesse acontecido, o Texas teria visto o fim da linha para o americano. Mas Shelton é o tipo de jogador que se alimenta do perigo. Ele salvou os break points, subiu a voltagem do saque e buscou o empate.
O terceiro set foi um teste cardíaco. Shapovalov teve mais duas chances no 1-1 e uma oportunidade de ouro — e perigosíssima — no 5-5. Shelton não tremeu. No tie-break, quando o placar marcava 3-3, a estrela do americano brilhou mais forte: três pontos seguidos de pura agressividade para garantir o match point e fechar a fatura com um forehand na linha que fez o ginásio explodir. Ao final, a estatística mostrou o equilíbrio insano: 111 pontos para cada lado. Shelton não ganhou no volume; ganhou nos momentos que definem carreiras.
O Duelo dos Gigantes: Fritz vs Shelton
Na outra semifinal, o cabeça de chave número 1, Taylor Fritz, fez o seu trabalho com a eficiência de um veterano. Ele barrou o retorno triunfal do veterano e ex-campeão do US Open, Marin Cilic, em dois tie-breaks: 7-6(5) e 7-6(3). Com isso, Fritz alcançou a marca histórica de 20 finais na carreira.
A final de domingo não é apenas uma decisão de título; é uma briga direta pelo trono do tênis americano. Fritz é o atual número 7 do mundo, enquanto Shelton ocupa o 9º posto. Quem vencer Dallas leva para casa o segundo título de nível ATP 500 da carreira (ambos já venceram em Tóquio) e iguala sua segunda maior conquista — ambos são campeões de Masters 1000 (Fritz em Indian Wells e Shelton em Toronto).
O histórico entre os dois está empatado em 1-1, mas este será o primeiro encontro em quadras cobertas (indoor). A velocidade da bola em Dallas favorece o saque explosivo de Shelton, mas a solidez de fundo de quadra de Fritz é um teste de paciência para qualquer um.
O Lado Obscuro: A Fúria de Reilly Opelka
Nem tudo é festa em Dallas. O torneio também ficou marcado pelas declarações pesadas de Reilly Opelka. O gigante americano não poupou críticas ao árbitro de cadeira Greg Allensworth, chamando-o de “o pior árbitro do circuito”. A polêmica começou após a derrota de Opelka para Tommy Paul, em um jogo que o próprio Paul descreveu como “super estranho”.
Opelka, que está tentando deixar para trás uma mentalidade de “gerenciamento de lesões” e focar apenas no jogo, explodiu contra o que ele chama de falta de responsabilidade dos árbitros. “Eu não posso ser apenas um saco de pancadas”, desabafou o tenista. O clima de tensão com a ATP pode resultar em multas pesadas ou até suspensões, algo que o Tenis Rock Clube acompanhará de perto, pois afeta diretamente a presença dos grandes sacadores nos próximos torneios.
O Retrospecto de Dallas e o Domínio Americano
O Dallas Open tem se tornado um reduto de conquistas americanas e histórias de redenção. Em 2024, vimos Tommy Paul derrotar Marcos Giron em uma final caseira. Em 2025, a queda precoce de nomes como Frances Tiafoe e Ben Shelton (que caiu para Shapovalov nas quartas naquele ano) abriu espaço para o brilho canadense. Agora, em 2026, o equilíbrio de poder voltou para os EUA.
O fato de termos dois jogadores do Top 10 na final de um ATP 500 doméstico mostra que a “New Gen” americana finalmente amadureceu. Fritz e Shelton não estão apenas jogando tênis; eles estão competindo pela liderança de uma nação que busca um novo campeão de Grand Slam há décadas.
O Que Esperar da Final?
A chave para a vitória em Dallas será a devolução de saque. Se Fritz conseguir neutralizar o serviço de 230 km/h de Shelton e levar os pontos para trocas mais longas, sua experiência deve prevalecer. Por outro lado, se Shelton conseguir manter a agressividade que mostrou contra Shapovalov e não permitir que Fritz dite o ritmo, o troféu ficará com o caçula da elite.
Preparem-se, porque o domingo em Dallas promete ser um concerto de aces e jogadas de efeito. No Tenis Rock Clube, estaremos de olho em cada milímetro da linha de fundo.

